domingo, 9 de julho de 2017



REFLETINDO SOBRE O PROFESSOR REFLEXIVO


      Atualmente, muito se defende a necessidade de formar professores que reflitam sobre sua prática, no intuito de modificá-la, melhorando-a não só em benefício do professor, mas de todos que compõem a comunidade escolar.
     Segundo Alarcão,
os professores desempenham um importante papel na produção e estruturação do conhecimento pedagógico porque refletem, de uma forma situada, na e sobre a interação que se gera entre o conhecimento científico [...] e a sua aquisição pelo aluno, refletem na e sobre a interação entre a pessoa do professor e a pessoa do aluno, entre a instituição escola e a sociedade em geral. Desta forma, têm um papel ativo na educação e não um papel meramente técnico que se reduza à execução de normas e receitas ou à aplicação de teorias exteriores à sua própria comunidade profissional (2005, p. 176).
         De acordo com Freire (1996), a reflexão é o movimento realizado entre o fazer e o pensar, entre o pensar e o fazer, ou seja, no “pensar para o fazer” e no “pensar sobre o fazer”. Nesse sentido, a reflexão provém da curiosidade sobre a prática docente, uma curiosidade inicialmente ingênua, que, transformada em exercício constante, transforma-se em crítica. Essa reflexão crítica permanente deve constituir-se como orientação prioritária para a formação continuada dos professores que buscam a transformação por meio de sua prática educativa.
       Um “professor reflexivo” não para de refletir a partir do momento em que consegue sobreviver na sala de aula, no momento em que consegue entender melhor sua tarefa e em que sua angústia diminui. Ele continua progredindo em sua profissão mesmo quando não passa por dificuldades e nem por situações de crise, por prazer ou porque não o pode evitar, pois a reflexão transformou-se um uma forma de identidade e de satisfação profissionais. Ele conquista métodos e ferramentas conceituais baseados em diversos saberes e, se for possível, conquista-os mediante interação com outros profissionais. Essa reflexão constrói novos conhecimentos, os quais, com certeza, são reinvestidos na ação. Um profissional reflexivo não se limita ao que aprendeu no período de formação inicial, nem ao que descobriu em seus primeiros anos de prática. Ele reexamina constantemente seus objetivos, seus procedimentos, suas evidencias e seus saberes. 


sábado, 1 de julho de 2017

                     SISTEMA ESTADUAL DE AVALIAÇÃO PARTICIPATIVA: UMA            REFLEXÃO CRÍTICA

      O Sistema Estadual de Avaliação Participativa (SEAP) é uma política pública instituída pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 2012, para construir diagnósticos qualitativos na Rede Estadual de Ensino a fim de aperfeiçoar a gestão educacional e o controle público, incidindo na melhoria do processo de ensino-aprendizagem com vistas a alcançar uma educação de qualidade com cidadania (SEDUC, 2012). A coordenação está sob a responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação - SEDUC e tem como público alvo ela mesma, as Coordenadorias Regionais de Educação - CRE e as Escolas Públicas Estaduais do Rio Grande do Sul. Através da análise feita com os indivíduos envolvidos no processo a ideia inicial é chegar a uma leitura sociológica da localidade em uma análise microssociológica da escola, Coordenadoria e SEDUC (SEDUC, 2012), já que os conhecedores da realidade são os sujeitos do contexto.
      As DIMENSÕES revelam todas as condições sob as quais funciona um nível institucional, seja ela a escola, a Coordenadoria ou a SEDUC. São elas:
Dimensão 1 - Gestão Institucional;
Dimensão 2 - Espaço Físico da Instituição;
Dimensão 3 - Organização e Ambiente de Trabalho;
Dimensão 4 - Condições de Acesso, Permanência e Sucesso na Escola;
Dimensão 5 - Formação dos Profissionais da Educação;
Dimensão 6 - Práticas Pedagógicas e de Avaliação.

         A intenção é possibilitar que a comunidade escolar, as coordenadorias regionais e a Seduc façam um momento de reflexão sobre as suas praticas.
                                                         PLANO DE AÇÃO
A dinâmica do processo didático e do conhecimento que se ensina, aprende e (re)constrói na escola, solicita  que o professor incentive e promova o hábito de estudos, leituras e discussões coletivas de textos, tanto os que trazem subsídios aos conteúdos específicos, quanto os que ampliam e aprofundam bases, encaminhamentos e concepções do ato educativo de ensinar e aprender, que caracteriza a especificidade da escola e do conhecimento que deve ser garantido. Sendo assim, a função e/ou a “missão” do professor neste processo dos projetos de aprendizagem, requer dele, então uma ampla e bem apoiada visão dos fundamentos, princípios e conceitos do processo didático.
Propiciando o desenvolvimento do currículo da escola, visando melhor e mais eficiente desempenho do trabalho didático-pedagógico e, obviamente, a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, tem o presente plano a função de orientar e avaliar todas as atividades , dinamizando, facilitando a aproximação do aluno com inúmeros meios de aprendizagem.
        Promover no ambiente escolar momento que possibilitem aos alunos, avaliar e repensar sua aprendizagem, almejando assim, a melhoria da qualidade do processo ensino aprendizagem.
       Temos encontrado que esta inversão de papéis pode ser muito significativa.  Quando o aprendiz é desafiado a questionar, quando ele se perturba e necessita pensar para expressar suas dúvidas, quando lhe é permitido formular questões que tenham significação para ele, emergindo de sua história de vida, de seus interesses, seus valores e condições pessoais, passa a desenvolver a competência para formular e equacionar problemas.  Quem consegue formular com clareza um problema, a ser resolvido, começa a aprender a definir as direções de sua atividade.

           A situação de projeto de aprendizagem pode favorecer especialmente a aprendizagem de cooperação, com trocas recíprocas e respeito mútuo.  Isto quer dizer que a prioridade não é o conteúdo em si, formal e descontextualizado.  A proposta é aprender conteúdos, por meio de procedimentos que desenvolvam a própria capacidade de continuar aprendendo, num processo construtivo e simultâneo de questionar-se, encontrar certezas e reconstruí-las em novas certezas.  Isto quer dizer: formular problemas, encontrar soluções que suportem a formulação de novos e mais complexos problemas.  Ao mesmo tempo, este processo compreende o desenvolvimento continuado de novas competências em níveis mais avançados, seja do quadro conceitual do sujeito, de seus sistemas lógicos, seja de seus sistemas de valores e de suas condições de tomada de consciência.

sexta-feira, 16 de junho de 2017


               
                A CONTRIBUIÇÃO DO CONSELHO ESCOLAR NA GESTÃO ESCOLAR

    
        A participação das comunidades escolar e local é vital para o sucesso da escola e deve ser incentivada cada vez mais, porém, inúmeros percalços ainda se colocam à frente da gestão democrática quando o assunto é a participação da comunidade escolar por meio dos conselhos.
        Cabe à equipe gestora mobilizar e envolver a comunidade na vida cotidiana da escola. O trabalho em equipe bem organizado tem como resultado a otimização do tempo e a satisfação dos vários segmentos envolvidos no processo educacional, objetivos divergentes que se afinam quando estão em uma arena de debates que tem uma finalidade maior: a qualidade da educação.
       Administrar democraticamente o espaço escolar é uma atividade que exige comprometimento com o fazer educacional. Na gestão participativa, o foco das atenções dos gestores deve estar nas pessoas – elas devem participar das principais decisões da escola, tornando-se parceiras e responsáveis pela definição de objetivos, metas, alvos e resultados finais. A busca da participação das pessoas significa maior comprometimento delas com os resultados da escola e com o sucesso das ações realizadas pelos gestores.
       O nosso Conselho se reúne mensalmente para discutir todo e qualquer tipo de assunto relacionado com a escola, desde análise das pretensões de gastos, onde serão utilizadas as verbas destinadas à escola, realizar as  prestações de conta, gerir certos conflitos que a direção solicita auxílio, calendário escolar, estudos de recuperação...enfim tudo deve passar pela análise e discussão dos membros deste grupo.


sábado, 3 de junho de 2017

            

              GESTÃO DEMOCRÁTICA NO CONTEXTO ESCOLAR
       Compreender a coerência dos processos da gestão democrática é perpetrar uma análise do que historicamente foi positivo e do que precisa ser redimensionado e refletido, visto que isso é o resultado de um processo político pedagógico, ou seja, não é neutro, para que haja maiores graus de autonomia e participação dos atores educativos e da comunidade local dentro do contexto escolar.
    Para tanto, é imprescindível que se analise a instauração do processo de redemocratização do poder e como a gestão democrática tem se intensificado, tendo em vista a participação dos segmentos escolares nas tomadas de decisões, no exercício da autonomia e desenvolvimento do trabalho coletivo nas instituições escolares para garantir a qualidade do ensino.
       Uma gestão democrática traz como elemento indispensável a participação ativa da comunidade escolar no processo de tomada de decisões, baseado na dinâmica do trabalho coletivo e partilha de responsabilidades para exercício da autonomia escolar.
        E para tentar compreender a dinâmica desse processo, se faz necessário a realização de uma pesquisa que parte da seguinte problematização: Como se dá a emergência do princípio de gestão democrática na política educacional brasileira e que mudanças esse princípio impõe para a organização da gestão da escola pública?
       Além da Constituição, da LDBEN, e do PNE, temos também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que incentiva a participação da criança na tomada de decisões no que diz respeito à sua vida.
    Vê-se que a legislação educacional insere a Gestão Democrática nas escolas considerando a participação de todos que compõem a comunidade escolar e comunidade local, apresenta o trabalho coletivo e a necessidade de participação e envolvimento da comunidade na gestão da escola.
       Na verdade, a legislação torna obrigatória para todo o sistema o que já vinha ocorrendo de forma esparsa no país. A autonomia dos estabelecimentos de ensino foi ampliada não só em relação a gestão como também às formas de organização escolar consolidando os princípios da gestão democráticas nas instituições públicas de ensino.
       A gestão democrática deve ser concebida como participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar (pais, professores, estudantes e demais funcionários) na organização, na construção e na avaliação dos projetos pedagógicos, na administração dos recursos da escola, enfim, nos processos de tomadas de decisões.

          Portanto, esse tipo de gestão inclui um ingrediente muito importante e essencial que se traduz no aumento de poder para uma maioria que compõe a estrutura humana da escola. Trata-se da participação com possibilidade de decidir.
                                      

                                        GESTÃO DEMOCRÁTICA

            A gestão democrática é entendida como a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar, pais, professores, estudantes e funcionários na organização, na construção e na avaliação dos projetos pedagógicos, na administração dos recursos da escola, enfim, nos processos decisórios da escola. Portanto, tendo mostrado as semelhanças e diferenças da organização do trabalho pedagógico em relação a outras instituições sociais, enfocamos os mecanismos pelos quais se pode construir e consolidar um projeto de gestão democrática na escola.
            Nesse sentido, está posto no Plano Nacional de Educação que “a gestão deve estar inserida no processo de relação da instituição educacional com a sociedade, de tal forma a possibilitar aos seus agentes a utilização de mecanismos de construção e de conquista da qualidade social na educação”. A democratização da gestão é defendida enquanto possibilidade de melhoria na qualidade pedagógica do processo educacional das escolas, na construção de um currículo pautado na realidade local, na maior integração entre os agentes envolvidos na escola – diretor, professores, estudantes, coordenadores, técnico-administrativos, vigias, auxiliares de serviços – no apoio efetivo da comunidade às escolas, como participante ativa e sujeito do processo de desenvolvimento do trabalho escolar.  
         A gestão democrática implica um processo de participação coletiva. Sua efetivação na escola pressupõe instâncias colegiadas de caráter deliberativo, bem como a implementação do processo de escolha de dirigentes escolares, além da participação de todos os segmentos da comunidade escolar na construção do Projeto Político-Pedagógico e na definição da aplicação dos recursos recebidos pela escola.
          Ao vislumbrar uma gestão democrática os sujeitos devem respeitar e valorizar as novas ideias para que todos possam sentir-se participantes do processo buscando um ensino de qualidade objetivando a verdadeira função social da escola.