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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

                   

                      Fotografia e Memória

À fotografia foi agregado um elevado status de credibilidade devido à possibilidade de registrar partes selecionadas do mundo “real”, da forma como “realmente” se apresentam. Assim, como a palavra fotografia5 , que do grego significa a “escrita da luz”, a palavra memória também traz consigo traços de credibilidade, por evidenciar os fatos como se parecem, por mostrar os caminhos da lembrança.
A galeria de retratos democratizou-se e cada família tem, na pessoa do seu chefe, o seu retratista. Fotografar as suas crianças é fazer-se historiógrafo da sua infância e preparar-lhes, como um legado, a imagem dos que foram... O álbum de família exprime a verdade da recordação social. Nada se parece menos com a busca artística do tempo perdido do que estas apresentações comentadas das fotografias de família, ritos de integração a que a família sujeita os seus novos membros. As imagens do passado dispostas em ordem cronológica, “ordem das estações” da memória social, evocam e transmitem a recordação dos acontecimentos que merecem ser conservados porque o grupo vê um fator de unificação nos monumentos da sua unidade passada ou, o que é equivalente, porque retém do seu passado as confirmações da sua unidade presente. É por isso que não há nada que seja mais decente, que estabeleça mais uma confiança e seja mais edificante do que um álbum de família: todas as aventuras singulares que a recordação individual encerra na particularidade de um segredo são banidas e o passado comum ou, se se quiser, o mais pequeno denominador comum do passado tem o brilho quase presunçoso de monumento funerário freqüentado assiduamente. (BOURDIEU, 1965, p.53-54)


A princípio, a memória nos parece ser individual, um fenômeno pessoal, relativamente íntimo, próprio da pessoa. Mas o sociólogo francês Maurice Halbwachs (1990) já havia dito que a memória deveria ser entendida, sobretudo, como um fenômeno coletivo e social, ou seja, como um fenômeno construído coletivamente e submetido a flutuações, mutações, transformações constantes

Também na fotografia, o espaço e o tempo cravados no recorte são elementos indissociáveis, são marcas indeléveis à sua construção e de vital importância a sua rememoração. “Tal ação ocorre num preciso lugar, numa determinada época, isto é, toda e qualquer fotografia tem sua gênese num específico espaço e tempo, suas coordenadas de situação.” (KOSSOY, 1999, p.26)

Assim como a fotografia, a memória também recria o “real”. Portanto fotografia é memória e com ela se confunde. É o que nos permite até viver.


Desde quando pequena já havia feito minha escolha- ser professora. Esta imagem retrata bem como eu fazia na minha infância, dando aula para  meus alunos imaginários.
Chegado o momento, ingressei no magistério no ano de 1990 e me formei em 1994




Foto ilustrativa, retirada da internet https://www.google.com.br/www.sibgloria.com.br  
Me formei no magistério no:
                                                    








Iniciei minhas experiências docentes numa escola de Educação Infantil chamada Creche Elsinha


Aqui, vivi grande experiências tanto profissionais quanto pessoais que carrego comigo até hoje, tais como o carinho que devemos ter por seres tão especiais que são as crianças, principalmente porque precisam ficar num local distante de suas casas enquanto seus pais trabalham. Senti o quanto é importante este trabalho, saber driblar a dor da separação entre seus pais, mesmo sendo por algumas horas e fazer estes pequenos se alegrarem pelas mínimas coisas...foi gratificante demais.

Alguns tempo depois, fiz concurso público para o cargo de professor e para minha alegria fui aprovada.
Minha primeira escola pública foi Esc. Est. Jerônimo de Ornelas no ano de 2001.
Lá pude vivenciar com meus alunos algumas experiências muito significativas com relação a aprendizagem, tais como: visita ao museu da Brigada Militar na Academia da Brigada, visita ao museu Júlio de Castilhos.
Esses projetos valeram por muitas aulas, o vivenciar de perto, fora da sala de aula foi muito produtivo.




Enfim, foram muitas atividades registradas em fotografias e que podem sim se confundir com o real.
As fotografias além de significarem lembranças, mas não são simples momentos registrados, eles vêm carregados de sentimentos. Ao mesmo tempo podem também significar objetos de manipulação para aprendizagem.
  A fotografia é tão importante para a sociedade, ela veio para mudar a histórias do mundo, proporcionando a todos um instrumento importante na busca da própria identidade. A foto nada mais é do que a testemunha ocular do fato, é a existência contida na imagem comprovando o que realmente ocorreu naquele instante.
Um antigo provérbio chinês já diz tudo sobre a fotografia: “Uma imagem fala mais do que mil palavras.”




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

                 Aprendendo e ensinando sobre o passado à crianças

 O processo de investigação histórica envolve a compreensão de conceitos do tempo: a mensuração do tempo, continuidade e mudança, as causas e efeitos de eventos e de mudanças ao longo do tempo, semelhan- ças e diferenças entre períodos. Isso significa encontrar o passado a partir de fontes, os traços do passado que permanecem, sejam escritos, visuais ou orais. Fontes foram criadas com propósitos diferentes e, portanto, possuem diferentes níveis de validade; freqüentemente são incompletas. Por isso, historiadores fazem inferências sobre fontes, no sentido de saber como foram feitas, usadas e o que podem ter significado para as pessoas que as produziram e as utilizaram. (COLLINGWOOD, 1939).

Faz-se necessário estabelecer objetivos claros com critérios que contribua para a formação de identidades e que escola, professor e sociedade tenham respostas a algumas reflexões, tais como: Qual identidade quer formar em nossos alunos? Quais conteúdos e quais abordagens de estudos históricos contribuem para consolidar determinadas identidades? E quais são as repercussões dessas identidades, construídas pelos alunos, na sociedade em que eles vivem? (TERRA e FREITAS – 2004)
         Ensinar História é estimular as crianças a refletirem e fazerem descobertas relacionadas, primeiramente à sua História. A informação pronta e acabada torna a criança um ser passivo em relação ao saber e distante do processo histórico. Para que ela seja participante na sociedade é fundamental que entenda os processos de produção do conhecimento. Segundo Höfling (2003, p. 181),
         A História é produto da atividade do homem e não se pode deixar de representar o passado, porém, sem desqualificá-lo, destacando como os homens sempre buscaram alternativas para vencer os desafios que enfrentavam. É preciso compreender que o conhecimento histórico é uma construção de vários sujeitos. Pode-se iniciar esse entendimento por intermédio do cotidiano das crianças, oferecendo-lhes a possibilidade de se perceberem como sujeitos da sua história. Embora sejam crianças, possuem em seu interior um arsenal de capacidades invejáveis. Elas tomam consciência do mundo de maneiras diferentes a cada etapa do seu desenvolvimento.
              Os professores precisam se fazer estas perguntas e ao respondê-las estarão tomando consciência de suas próprias concepções e valores. Na sala de aula precisa-se quebrar a hierarquia do poder, do discurso competente de que são os professores e o livro didático que detêm o poder, o saber, a competência e o privilégio para a escolha dos objetos de estudo e estratégias de ensino. Essa hierarquia de que o professor é o detentor do poder precisa ser desmistificada e deposta, pois certamente não é verdadeiro.
              Há muitas formas de fazer com que a criança se sinta a vontade com disciplina de história, basta apenas paciência e determinação por parte dos p professores. Dessa forma ela aprenderá que estudar história vai muito além do que a boa e velha “decoreba” tão comum entre os alunos já crescidos.
              O ensino de História , nessa fase, tem como foco a compreensão da ideia de passado e presente. Os conceitos históricos são desenvolvidos por meio de brincadeiras, canções, contos, lendas e mitos - e também em momentos de diálogos, discussões e reflexões.

           Enfim, aprender e ensinar histórias para crianças se faz necessário tomarmos consciência de que a mesma já tem um conhecimento prévio, não é um ser nulo; a partir disto devemos nortear nossa prática pedagógica.  

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017



                 NOÇÃO DE TEMPO



ESCOLA  /    ALUNO       /     APRENDIZAGEM
           




As diferentes formas de perceber, de pensar, de sentir da criança passam a ser vistas como ausências de saber. Os caminhos percorridos pelas crianças, na maioria das vezes, desconhecidos para a escola, não são reconhecidos como passíveis de levar ao aprendizado. O que termina acontecendo é que as crianças que não acompanham o tempo da escola vão ficando para trás... [...] Na medida em que a criança não acompanha o “tempo” da sua turma, que é o “tempo” imposto pela escola, ela é posta de “lado”. A criança se perde no tempo, deixando de existir para a escola e para a professora como se o tempo para ela parasse (SAMPAIO, 2002, p. 186-187).

A escola trabalha com a concepção de aprendizagem que entende o aprender vinculado ao desempenho cognitivo e habilidades adquiridas pelos alunos. Desempenhos e habilidades predefinidos pela escola e/ou pelo sistema educacional considerados universais, devendo ser atingidos em determinado tempo escolar(SAMPAIO, 2002, p. 188).

      Com base no texto apresentado e relacionando com a prática atual de nossas escolas, o tempo realmente é fragmentado, hierarquizado e organizado muitas vezes de forma dominadora...o que em grande parte das situações não condizem com nossa realidade escolar, pois nossos alunos, assim como nós adultos, temos um tempo único para aprendizagem, não se aprende todo mundo junto, no mesmo tempo marcado.
      Ainda bem que já existe a possiblidade da alfabetização em três anos, não mais como antigamente. A criança pode se apropriar do conhecimento com mais flexibilidade, no entanto, isto ainda causa muito furor  no meio educacional, porque a sociedade também precisa refletir sobre este assunto, cobram, exigem tais desempenhos de seus filhos.

      Quanto ao professor são oferecidos pouco tempo para discutirem, elaborarem, construírem juntos uma proposta, uma idéia e muitas vezes sujeitas a aprovação de um sistema totalmente dominador. Mas um dia alcançaremos algo melhor, eu creio.

sábado, 21 de janeiro de 2017

                  REFLEXÕES EM TORNO DO CONHECIMENTO HISTÓRICO ESCOLAR         

          Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (BRASIL, 1997), um dos objetivos mais significativos quando se trata do ensino de História relaciona-se à questão de identidade. É de grande relevância que os estudos de História estejam permanentemente elencados na estruturação da noção de identidade, ao longo da instauração de relações entre identidades individuais e sociais. Esse ensino deve também permitir que os alunos se compreendam partindo de suas próprias representações, do tempo em que vivem introduzidos em um grupo e ao mesmo tempo retomem a diversidade e executem uma análise crítica de uma memória que é perpassada
        É sabido que existem vários problemas em sala de aula e muitos desses problemas surgidos na educação, afeta de alguma forma o método que é repassado os conteúdos disciplinares, onde, em uma simples dificuldade com o veículo escolar, pode vir a ocasionar consideravelmente certo atraso no conteúdo disciplinar. Diante disso, é perceptível que a disciplina de história se encontra inserida dentro de uma atmosfera problemática, porém, tenta sobressair-se, tendo em vista que ela é a ciência humana básica na formação do aluno, pois tem a capacidade de fazer com que o aluno compreenda a realidade que o cerca e, por conseguinte, abastecer-se de espírito crítico que o habilitará a entender a mesma realidade.
       Assim sendo, é visto que o ensino de História, atualmente, vive uma conjuntura de crise:
 Crise que espelha as modificações da própria produção científica, que, de certa forma, ampliaram o leque de possibilidades do pensar, do fazer e do escrever a história. Crise, período criativo, pois obrigou os profissionais a  questionar criticamente os alicerces, os pressupostos teórico-metodológicos da ciência e do ensino, obrigando-os a propor experiências múltiplas, procurando superar o tradicional modelo que, introduzido no século XIX, foi ganhando consistência e relevância, espraiando-se pelas instâncias da sociedade – escola, família e produção cultural –, tornando-se hegemônico. (NADAI, 1992, p. 144).

          Para Martins (2012, p. 768), o crescimento do estudo e ensino de História nos últimos anos tem sido gritante, no entanto, lecionar essa disciplina vem sendo um desafio preocupante, pois reclamações são vistas de ambos os lados, sejam elas por parte dos professores que relatam a falta de estimulo e deficiência dos alunos, no que tange a aprendizagem dos conteúdos de História, e, por parte dos alunos queixando-se a todo o momento que a disciplina de história é enfadonha e que não tem interesse em estudar sobre o passado e/ou “quem já morreu”.

      Pensar a respeito do ensino de História é seguir por desafios diversos.